
Basta um pouco de dia nos olhos claros
como o fundo de uma água, e a raiva a invade,
a aspereza do fundo que o sol lamina.
A manhã que retorna e a encontra viva
não é tênue nem boa: perscruta-a fixa
entre as casas de pedra que o céu encerra.
Sai o corpo pequeno entre a sombra e o sol
como um lento animal, espreitando ao redor,
sem olhar para nada a não ser as cores.
Sombras vagas que vestem a estrada e o corpo
escurecem-lhe os olhos, meio entreabertos
como uma água, e nessa água transluz a sombra.
Os matizes refletem o céu tranquilo.
Mesmo o passo que pisa o lajedo, suave,
quase pisa nas coisas, como o sorriso
que as ignora e perpassa como água clara.
Dentro d'água ameaças furtivas escorrem.
Cada coisa do dia se crispa à idéia
de que a rua, sem ela, seria um vazio.
Cesare Pavese
M@ria
2 comentários:
Me esqueço na sensibilidade de
vocês, minhas Amigas...
Ando devagar para sentir melhor
as flores, colho-as sem tocar
guardando n'alma, rara essência!!!
Feriado de paz pr'ocêis, viu!!!
Beijos muitos...
No coração, viu!!!
Iza
Querida Iza,
Beijos, grata pela visita e ótimo Feriado....
Reggina Moon
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